Ler sinergias: que pares jogam melhor juntos
Há jogadores que rendem mais ao lado de certos colegas. As sinergias tentam mostrar isso: como corre um par quando os dois jogam no mesmo jogo. São úteis para montar o meio-campo e a defesa, desde que saibas o que os números dizem e o que não dizem.
O que são sinergias
Uma sinergia olha para um par de jogadores e para o que acontece quando os dois estão em campo. A pergunta mais simples é quantas vezes a equipa ganhou com aquele par junto, em quantos jogos.
No VOC, as sinergias saem das fichas de jogo validadas e aparecem em duas listas de cinco pares. Uma mostra os pares que mais ganham juntos, com as vitórias e os jogos que fizeram lado a lado. A outra mostra os pares mais produtivos, pela soma de golos e assistências quando os dois jogam.
Lê as sinergias como uma pista, não como um veredicto. Dizem-te onde olhar, não o que decidir.
Compara com a média da equipa
Começa por fazer a conta: divide as vitórias do par pelos jogos que fizeram juntos. Um par com mais vitórias pode só ter jogado mais vezes, e é a percentagem que te deixa comparar pares com números de jogos diferentes.
Depois compara com a equipa. Se o clube ganha sete em cada dez jogos, um par com 70% de vitórias está apenas na média. O mesmo número numa equipa que ganha metade dos jogos já merece atenção.
Compara também com cada um dos dois jogadores. Se um central ganha quase sempre que joga, seja com quem for, o mérito da dupla é sobretudo dele. A sinergia interessa quando o par rende mais junto do que cada um rende em separado.
Poucos jogos, sinal fraco
Desconfia de pares com poucos jogos. Duas vitórias em dois jogos dão 100%, e isso diz muito pouco. Pode ter sido sorte, um adversário fraco ou um dia bom de toda a equipa.
Quanto mais jogos, mais o número se aproxima da realidade. Um par com doze vitórias em vinte jogos diz-te mais do que um par com três em três, mesmo que a percentagem seja mais baixa.
Como referência aproximada:
- Menos de cinco jogos juntos: trata como curiosidade
- Entre cinco e dez: começa a ser uma pista
- Mais de dez: um sinal a levar a sério, sempre com contexto
O contexto conta
Os números não sabem contra quem jogaste. Um par que só alinhou junto em amigáveis contra equipas mais fracas vai parecer imbatível. Antes de confiares numa sinergia, vê em que jogos foi construída.
Cruza com a análise por competição e por adversário. Uma dupla de centrais que ganha na liga e perde na taça pode estar a sofrer com adversários de outro nível, não com falta de entendimento.
Lembra-te de que o par nunca joga sozinho. Se os dois alinharam quase sempre com o mesmo guarda-redes em grande forma, parte do mérito é dele. E confirma as posições na ficha: um par de médios pode ter feito metade dos jogos com um deles a extremo.
Montar o meio-campo e a defesa
É no eixo do terreno que as sinergias mais ajudam, porque são as posições onde o entendimento entre dois jogadores mais pesa. Começa pelos pares que mais importam para a forma como jogas.
- Os dois centrais
- Central e médio defensivo
- Médio defensivo e médio mais ofensivo
- Lateral e extremo do mesmo lado
Na defesa e no meio-campo defensivo, olha sobretudo para as vitórias. Mais à frente, a lista dos pares mais produtivos ajuda a perceber quem cria golos em conjunto. Quando dois pares parecem equivalentes, desempata pela nota média de cada jogador na época.
Se os números sugerem uma dupla que nunca testaste a sério, experimenta-a num treino ou num amigável antes de a pores num jogo de liga. E não montes o onze só a partir de pares: a melhor dupla de centrais não compensa um lado da defesa que não se entende.
Usar os números na conversa
As sinergias são boas para começar conversas, não para as acabar. Mostrar a um jogador que a equipa ganha mais quando ele joga com um certo colega é mais útil do que dizer-lhe apenas que está fora do onze.
Revê os pares uma vez por mês ou a meio da época. Os números mudam à medida que o plantel joga, e um par fraco no início pode ser a melhor dupla da equipa três meses depois.